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santa-mariense Marcelo Jardim espera se manter entre os melhores do mundo

santa-mariense Marcelo Jardim espera se manter entre os melhores do mundo

santa-mariense Marcelo Jardim espera se manter entre os melhores do mundo

31/01/17 - Notícias

Antes de retornar à Europa para finalizar a preparação para mais uma temporada do circuito mundial de padel, o santa-mariense Marcelo Jardim esteve no Centro Desportivo Pigatto no final da tarde desta terça (31/01) para uma partida amistosa de alto nível. Atual número 16 do World Pádel Tour (WPT), Marcelo foi à quadra ao lado dos conterrâneos Negrão Souza e Lucas de Souza e o alegretense Lucas Campagnolo, número 1 do Brasil, para brindar os cerca de 50 espectadores com jogadas dignas dos grandes craques da raquete.

Aos 43 anos e ainda em plena forma, Marcelo esbanjou talento em um dos seus últimos momentos em sua terra natal antes de voltar à Bilbao, na Espanha, onde reside há 14 anos, para começar a disputa de mais uma temporada mundial, que tem início previsto para o final de março, em Santander. Sem falar em aposentadoria, Jardim, que já figurou como segundo do planeta, concedeu entrevista ao EsporteSUL e revelou detalhes sobre sua mudança de parceiro, a vida no velho continente, e avaliou o esporte no Brasil, além de projetar o objetivo para mais uma disputa do circuito das estrelas, que tem mais de 500 atletas ranqueados.

Marcelo Jardim ao lado de Negrão Souza na quadra do Pigatto nesta terça. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL
ES: Qual a receita para atuar em alto nível contra adversários 20 anos mais jovens?

Marcelo: No meu caso não é uma receita, e sim, o mais importante é se adaptar à maneira de jogar. Eu era um jogador muito agressivo, muito físico, quando era mais novo. Aí tu tens que melhorar em certos aspectos que eu não era tão acostumado, que era defender e jogar um jogo mais lento, pausado, para dar tempo para recuperar. O segredo nesse caso é realmente a adaptação e buscar companheiros mais novos, que corram mais pela quadra e façam um jogo mais forte, para eu ser mais importante em momentos importantes e na defesa.

ES: O que muda com a troca de companheiro, já o argentino Franco Stupaczuck (15), será substituído pelo antigo parceiro, o espanhol Juan Lebrón (28)?

Marcelo: Apesar dos dois serem jovens, os dois têm características muito diferentes. O Stupaczuck, que eu joguei no ano passado, era um jogador mais cerebral. Ele corria muito e batia também, mas era um jogador que era muito importante na parte mental, apesar de ter 20 anos, ele aguentava muito nos pontos importantes e isso ajudava muito. Já o Juan, acho que é um jogador que tecnicamente está acima do Franco, mas, em compensação, no aspecto psicológico ele precisa crescer muito, ainda sai muito do jogo, nos pontos importantes ele não sabe segurar. Mas vamos ver se esse ano ele coloca a cabeça no lugar e a gente possa fazer uma boa temporada também.

ES: Como dimensionar a distância do padel europeu para o brasileiro?

Marcelo: Como o circuito está lá na Espanha, o normal, quando aparece um talento aqui ou na Argentina, que são onde realmente mais tem gente que joga bem, eles têm que ir pra lá pra poder seguir a carreira, pois aqui não tem um circuito profissional, são circuitos amadores. Se tu quiseres jogar e viver realmente do padel, tu tens que ir para a Espanha, é a única maneira.

Santa-mariense soma 2.485 pontos no Ranking mundial de padel. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL
ES: Depois de tantos anos vivendo longe, poder rever os amigos e se divertir na cidade natal é também importante para dar energia para encarar mais uma temporada?

Marcelo: Isso é sempre bom. Apesar de passar muito tempo longe, eu venho e quero estar mais tempo com a família, aproveitar, tento me desconectar um pouco, mas sempre que eu posso eu venho aqui para jogar com o Neguinho, o Negão, o Titi, que está lesionado agora, e o Lucas Campagnolo, que veio hoje, e é sempre um prazer jogar com ele, que agora vai para a Europa e tem um futuro muito grande pela frente.

ES: Qual a principal dica a ser passada ao Lucas Campagnolo para trilhar um caminho de sucesso na Europa, assim como o teu?

Marcelo: Eu falo com ele bastante. Ele já foi, ficou dois anos e agora ele tem que ir e não pode pensar em desistir. Talento ele tem, tem condições de estar entre os melhores. Assim como o Pablito Lima (porto-alegrense), que é hoje o número um do mundo, muitos diziam que ele não tinha talento suficiente para ser o número um, mas, à base de muito esforço ele provou e hoje é o melhor do mundo.

Marcelo Jardim ao lado de Negrão Souza na quadra do Pigatto nesta terça. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL
ES: Como é a rotina de um brasileiro que foi para a Europa para viver do padel?

Marcelo: Agora eu já voltei a uma rotina diferente. Quando eu era mais novo, eu só treinava e não fazia nada mais. Hoje em dia eu já estou dando algumas aulas. Como o meu ritmo de treinamentos é muito menor, eu ocupo esse tempo com outras atividades. Tenho um clube que represento, que tenho que cumprir um certo número de horas, e isso inclui algumas aulas, clínicas, e alguns torneios que acontecem por lá, eu preciso estar lá.

ES: Qual a força do padel na Espanha?

Marcelo: Hoje na Espanha é o segundo maior esporte, só perde para o futebol em número de participantes e federados. Na Europa está crescendo. Em Portugal está crescendo muito, na Itália também. Eu espero que, em um futuro próximo, o padel vai ser muito conhecido em todo o mundo e no Brasil vai ser praticado a partir desse momento, já que aqui parece que tudo precisa ser um pouco moda para que as coisas funcionem.

ES: Qual o objetivo do Marcelo Jardim em mais uma temporada do circuito mundial?

Marcelo: Eu me considero satisfeito (pelo que fiz na carreira), mas ao mesmo tempo eu só relaxei um pouco na maneira de treinar, com mais qualidade em menos horas. Mas, na hora da competição, eu sempre tento fazer o máximo possível. Eu gosto de competir, muito, e por isso eu tento estender a minha vida dentro do padel porque eu sei que depois que eu parar eu vou sentir falta da competição. Pra mim é muito importante competir e essa adrenalina é muito importante pra mim. Vamos ver se a gente consegue ficar entre os oito primeiros, que será uma boa vantagem ser cabeça de chave nos torneios. A ideia é essa, estar entre as oito duplas, pelo menos. – concluiu o experiente padelista do WPT.